Reajustes de convenções coletivas ganham indicador mensal do Banco Central
O BC passa a divulgar todo mês quanto as convenções coletivas estão dando de reajuste, por setor e em relação à inflação. Os dados saem do sistema Mediador, do MTE, e viram régua para a data-base.
O Banco Central (BC) passou a divulgar, todo mês, indicadores sobre os reajustes salariais negociados em convenções coletivas de trabalho (CCTs), com o percentual médio de aumento e a fatia de acordos acima, abaixo ou igual à inflação. A novidade foi anunciada em 6 de outubro de 2026 e detalhada na Nota Técnica nº 60, de setembro. Para quem cuida de data-base e orçamento de pessoal, é uma referência pública e gratuita para comparar o reajuste da própria categoria com o do mercado.
De onde vêm os dados
A base é o Sistema Mediador, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), onde sindicatos e empresas registram convenções e acordos coletivos. Segundo a nota técnica, entre janeiro de 2012 e agosto de 2026 foram incorporados, em média, 414 registros por mês, e “cerca de 75% do total das convenções registradas mensalmente no MTE entra na base consolidada”.
O tratamento é em boa parte automático. Nas palavras do BC, “as três primeiras etapas — extração, classificação setorial e a marcação de observações — são executadas por rotinas automatizadas”. Em outras palavras, o texto das convenções é lido por programas que localizam o percentual de reajuste e classificam o setor.
O que o indicador mostra
| Indicador | O que significa |
|---|---|
| Reajuste nominal | Aumento em valores correntes |
| Reajuste real | Aumento descontada a inflação pelo INPC |
| Distribuição em relação ao INPC | Fatia de convenções acima, igual ou abaixo da inflação |
| Recortes | Regiões e setores: agropecuária, indústria, construção, comércio e serviços |
As séries ficam no Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do BC e, segundo a nota, serão “divulgadas regularmente até o dia 15 de cada mês”. O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) é a régua usada porque, como lembra a Agência Brasil, embora não haja obrigação legal de repor toda a inflação, ela continua sendo a principal referência nas negociações.
O que os números já mostram
O estudo do BC aponta que ganhos reais foram mais frequentes entre 2012 e 2014 e voltaram a aparecer a partir de 2023, períodos de mercado de trabalho aquecido. Também registra que, “desde 2023, os reajustes observados na agropecuária têm superado os registrados nos demais setores”.
Há uma ressalva importante: como as convenções são registradas aos poucos, o dado de um mês recente ainda vai mudar. A própria nota mostra que, no primeiro mês, a diferença entre a estimativa e o valor final costuma ficar entre -0,59 e 0,25 ponto percentual em 80% dos casos.
Fontes
Conteúdo informativo. Não substitui a orientação de um contador ou advogado trabalhista.